• Ana Ramalho

Parem de dizer...


Parem de dizer que quando nasce um bebé, nasce uma mãe.

Parem de dizer que toda a mulher possui o instinto materno.

Parem de dizer que quando chegar a hora toda a mãe sabe o melhor a fazer.

Parem de proferir essas afirmações (por mais bem intencionada que seja a intenção). Cuidar e educar de um bebé não é tarefa fácil. No momento do nascimento não cai pó de pirlimpimpim sobre a mãe e a tornam numa expert de bebés.

Levar um recém-nascido para casa é um grande desafio (principalmente se for o primeiro). Somos invadidas pelo medo, pela insegurança, pela incerteza. Existe a pressão para ser perfeita, os julgamentos, as opiniões e os malditos palpites.

As primeiras trocas de roupa são batalhas homéricas.

Os primeiros banhos desafiam as nossas capacidades de logística.

Os primeiros dias são marcados pelo cansaço intenso.

Os sonos trocados.

As noites são longas e muito pouco revitalizantes.

O corpo pesa e o humor escasseia.

A cada dia que passa, surgem novos desafios. Recuperar do parto, se ver num novo papel, novas responsabilidades, reorganizar a rotina da casa. A vida dá uma volta de 180 graus e não há volta a dar. Então, percebemos que aquela "maternidade cor-de-rosa" é um sonho longínquo e que em nada se assemelha à nossa realidade. Damos o nosso melhor, dia após dia, tentamos fazer com que aconteça. E quando fazemos o balanço no final do dia, desesperamos, não encaixamos no estereótipo da mãe perfeita, estamos perdidas tentando ser a mãe do ano, a mulher maravilha aos olhos dos outros.

Nosso instinto materno não funciona. Só pode ser isso, certo? NÃO!!

Ninguém nasce sabendo cuidar de um bebé, ninguém sabe como agir perante a primeira birra de uma criança, ninguém sabe apaziguar o choro de um bebé com cólicas. Tudo é novidade!

Na realidade, esse "instinto materno" nada mais é do que o acumular de tentativas e erros. É na tentativa/erro que ganhamos experiência, confiança nas nossas decisões, nos conhecemos como mãe e crescemos.

Dizer que quando nasce um bebé, nasce uma mãe é simplesmente fantasioso. Acreditar nestas afirmações apenas nos força a olhar para os nossos erros com o olhar cruel da auto-crítica e censura. Quando erramos colocam-nos, automaticamente, o rótulo de má mãe. São esse tipo de crenças que alimentam a culpa materna. Levam as mulheres a não se aceitarem por inteiro e as impedem de desfrutarem de uma maternidade mais leve e plena. O medo da crítica inibe muitas mulheres de procurarem por ajuda, de se informarem e desabafarem.

É necessário humanizarmos a figura da mãe perante a sociedade. Que convenhamos nada tem a ver com aquela mãe dos anúncios publicitários. Só quando a mãe se olhar ao espelho com amor e empatia por si própria pode dar aos seus filhos e ao mundo o melhor de si. Então, podemos construir um mundo melhor, igualitário, com mais amor e respeito pelo o outro.

#maternidade #maternidadereal #culpamaterna #crenças #humanizaramãe #desromantizaramaternidade

0 visualização
  • Black Instagram Icon
  • Black Pinterest Icon
  • White Instagram Icon
  • White Pinterest Icon

© 2020 Todos os direitos reservados a O Cantinho da Mamã