• Ana Ramalho

A passinho de bebé - Pais sem pressa


A gravidez é, geralmente, um período muito feliz na vida de uma mulher. Esta fase é vivida com grande expectativa e com muita ansiedade. Claro, que cada mulher vive esta fase de maneira diferente. Umas mais eufóricas, outras mais serenas... Mas é, com certeza, uma fase de preparação e de reflexão, desde as roupinhas até ao tipo de educação que se quer para o novo membro da família.

Durante a gravidez perdia-me entre sonhos e devaneios. Quem nunca? Sonhava como seria a minha vida dali adiante, como seria o meu bebé e como seria eu como mãe. Na minha cabeça, tinha orquestrado o meu conto de fadas. Eu seria uma mãe exemplar, entre a correria do dia-a-dia já bem preenchido, seria também uma mãe extremosa, presente, radiante, queria e acreditava que iria seguir à risca os mandamentos descritos nos livros que passei a gravidez a ler. A minha bebé seria linda, calma, o seu desenvolvimento meteria inveja a qualquer um, futuramente, iria para a natação (como a mãe) e o pai gostava que ela também praticasse futebol, e claro, aprenderia a língua universal (leia-se inglês), desde bem cedo.

Mas, rapidamente, percebi que não passaria disso. Sabia-o porque me conheço. Sou uma pessoa que adora o simples, a praticidade e odeio pressas e pressão. Gosto de aproveitar cada minutinho do meu dia, saborear cada desafio que me é colocado e com a maternidade não podia ser de outra maneira.

Ao ler um artigo na Internet, descobri o movimento Slow Parenting, ou Pais sem pressa em português. Tudo começou a fazer sentido. Sério! Era muito eu. Os meus valores estavam lá espelhados e, de repente, sabia que era esse tipo de maternidade que queria para mim.

Este movimento defende o respeito pela criança e pelo o seu tempo. Vivemos num mundo cada vez mais acelerado com agendas super preenchidas e onde as pessoas vivem, cada vez mais, distantes uns dos outros. Procuramos o sucesso, exigimos a perfeição e colocamos muita pressão sobre nós próprios. E com as nossas crianças não é diferente. Queremos, a todo o custo, que nossos filhos sejam inteligentes, bem desenvolvidos, independentes e preparados para a vida , por isso, desde de cedo, estimulamos-los a sentar, gatinhar, andar, a falar e preenchemos o seus tempos livres com actividades extra-curriculares, muitas vezes, focadas no futuro profissional.

Sinceramente, não queria isso para a Emma. Queria para ela uma infância como a minha. Tenho boas recordações! E as que se destacam são as dos tempos livres, das tardes sem fim, das brincadeira com o meu irmão, do parque, do jardim... Não havia pressas, éramos donos do tempo, sem obrigações... Éramos simplesmente crianças!

Segundo pesquisadores, o tempo livre é fundamental para o desenvolvimento da criança, para descobrirem o mundo, para explorarem e para se conhecerem a si próprios seja física ou psicologicamente. Respeitar o tempo de cada criança é imperativo. O papel dos pais é escutar as suas crianças e entenderem como elas reagem aos estímulos externos. Dar tempo para a criança fazer o quer promove a criatividade e a autonomia. Crianças que crescem ao seu próprio ritmo são mais felizes e tornam-se adultos mais confiantes, menos stressados, menos ansiosos, que não necessitam do reconhecimento dos outros para se sentirem realizados e não se sujeitam a determinados rótulos da sociedade.

A Emma ainda é muito pequena, mas mesmo assim tento aplicar este método, na verdade, desde a gravidez. Respeitando aquele pequeno ser que estava na minha barriga, respeitando o meu corpo que era o seu abrigo. Comecei a preocupar-me mais com a minha alimentação, afastei-me de áreas poluídas, de situações de stress. Sentia que era minha responsabilidade oferecer a este ser o melhor e que a sua saúde era o mais importante. Já existem tantos riscos, tanta coisa que pode acontecer durante a gravidez que não podemos controlar. Para quê aumentar essa probabilidade, certo?

Instaurar um método desta dimensão não é fácil, pois afecta toda a rotina familiar. Para além, de me repensar, tive que fazer escolhas e tive que criar uma nova rotina familiar, onde todos nos sentíssemos confortáveis e satisfeitos. A Emma ainda passa boa parte do dia a dormir, mas quando está acordada vai para o seu cantinho na sala (assim fica perto de nós), sobre o tapete de espuma ela brinca livremente e em determinados momentos também me junto à folia. É engraçado ver como ela interage com as suas próprias mãos e com alguns objectos e cheia de curiosidade tenta explorar (toca, olha, ri) o meio que a rodeia. A minha maior preocupação neste momento é respeita a fase em que ela está e deixá-la desenvolver as habilidades que lhe fazem sentido e que ela sentem necessidade de desenvolver. Preocupo-me a decifrar os sinais que ela me dá e a estimular a sua interacção. Reservo alguns momentos para estar com ela sem qualquer tipo de interferência, por exemplo, durante as mamadas não tenho o telemóvel comigo (para não cair em tentação), escolho um local calmo, falo, canto ou conto-lhe uma história. Acredito que são momentos como estes que reforçam os elos entre a mãe e o bebé.

Este modelo de paternidade cresce com a família e com a criança, de acordo com as reais necessidades dos mesmos. O mais importante é proporcionar uma infância feliz à criança, transmitir-lhe valores, dar-lhe muito afecto e amor e nós aproveitarmos os nossos bebés, saborear cada vitória deles e estar presente nas suas primeiras vezes.

#SlowParenting #Paissempressa #Paternidade #maternidade

0 visualização
  • Black Instagram Icon
  • Black Pinterest Icon
  • White Instagram Icon
  • White Pinterest Icon

© 2020 Todos os direitos reservados a O Cantinho da Mamã