• Ana Ramalho

Cama a três - uma nova experiência


Eu não sou defensora da prática da cama compartilhada e nem pretendo dizer o que cada um deve fazer. Este blog é o meu "diário online" onde relato as minhas experiências do quotidiano, desabafo e opino sobre esta minha nova realidade como mãe. Por isso, hoje, venho partilhar a minha experiência com esta prática.

Durante a gravidez, li muito sobre os primeiros dias do bebé em casa, inclusive a cama compartilhada. Achava que era uma óptima prática, mas que talvez não se ajustasse à nossa realidade familiar. Devido à nossa rotina, pareceu-me que o melhor fosse cada um ter o seu espaço, o que iria ajudar a bebé a aprender a dormir sozinha.

Mas, tudo mudou no dia em que a Emma nasceu. Quando, na calada da noite, eu a admirava do alto da minha cama hospitalar. E ela no pequeno berço junto à minha cama onde dormia profundamente embrulhada numas mantas. A uma distância demasiado grande. Então, não aguentei e arranquei-a para junto de mim. Tinha que a ter perto de mim, sentir o calor do seu corpo, sentir o seu cheiro. Passei a noite inteira a admirar aquele ser que tinha saído de mim, a contemplar a sua pequenez e sua fragilidade, queria conhecer aquele pedacinho de mim. Lembro-me de tentar observar tudo o que se passava à minha volta, todos os cheiros, todos os sons. Lembro-me de a olhar com curiosidade, durante uma eternidade, na esperança de guardar em mim cada detalhe seu, o seu cheiro, o seu choro. E a partir desse momento, soube que era assim que queria viver a maternidade. Ela sempre junto a mim e eu sempre aqui para ela.

Na realidade, depois de ter voltado do hospital, ainda tentámos colocar a bebé no seu quartinho. Mas, eu não conseguia dormir de tanta preocupação. Ia constantemente ao quarto dela para ver como ela estava e passava a noite em estado alerta. Entre as vigias para acalmar o coração apertado de preocupação, as longas mamadas, os choros intensos devido às cólicas e a exaustão da mamã decidimos voltar a partilhar a cama nos primeiros meses de vida do bebé. Esta solução permiti-me ter uma noite mais descansada.

Partilhar a cama com um bebé exige alguns cuidados para que todos possam dormir confortáveis e em segurança. A solução que melhor se adaptou a nós foi colocar um berço junto à nossa cama.

Partilhar a cama permite-me estar sempre perto do bebé, o que ajuda a suprir as suas necessidades a tempo, e proporciona momentos deliciosos. São muitas as madrugadas em que acordo e fico a contempla-la deliciosamente, acaricio as suas bochechas e dou-lhe um beijo repenicado no alto da testa. E são muitas as madrugadas em que ela desperta e ao ver-me solta o seu enorme sorriso desdentado e balbucia algo indecifrável mas que me derrete o coração. O papá também tem o seus momentos com a princesa. E sabe tão bem vê-los a desfrutarem um do outro. São momentos como estes que fortalecem o vínculo entre nós, que nos dão forças para mais um dia e que fazem tudo valer a pena.

Sei que estes momentos não irão durar para sempre, por isso, quero desfrutá-los plenamente, pois, não tarda, a Emma vai querer os seu espaço. Faz parte do seu desenvolvimento e, como tal, será inevitável. Por agora, dormimos aninhados e muito felizes.

#camacompartilhada #maternidadereal #nacamacomobebé

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