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  • Ana Ramalho

A mãe que eu sou


Às vezes sou a mãe que grita enquanto olha para o relógio e vê o tempo a fugir, outras vezes sou a mãe que dá colo demorados, abraços bem apertados, beijos repenicados.

Às vezes sou a mãe que vai para o chão brincar como se tivesse 2 anos de idade, outras vezes sou a mãe que corre desesperada para arrumar a casa.

Às vezes sou a mãe que faz a comidinha da bebé só com produtos biológicos, que tenta evitar o glúten e o açúcar, outra vezes sou a mãe que corre para o supermercado para comprar frascos de papinha.

Às vezes sou a mãe que veste a bebé como uma boneca, outras vezes sou a mãe que não dá-lhe banho 3 dias consecutivos.

Às vezes sou a mãe que vive com o coração apertado quando a cria está longe, outras vezes sou a mãe que quer ter um dia só para ela, sem preocupações, sem gritos, sem lamúrias.

Às vezes sou a mãe que não dorme à noite quando a filha está doente e precisar de cuidados, outras vezes viro o monstro se me acordam mais do que duas vezes durante a noite. Sou essas e muitas outras que cabem em mim. Não sou a mãe perfeita, aquela que tanto idealizei, nem aquela que vi relatada em diversos livros que li e reli na minha gravidez. Mas sou a mãe que tenta e tenta. Que dá o seu melhor. Que se doa sem pedir nada em troca. Sou a mãe que erra, mas não baixa os braços. Sou a melhor mãe que posso ser de acordo com as circunstâncias. Não busco mais a perfeição!

Uma coisa que aprendi com a maternidade é que nenhuma mulher nasce sabendo como ser mãe. A maternidade é isso mesmo: tentar, tentar, errar e voltar a tentar. É no meio dessas tentativas e erros que aprendo a ser uma melhor mãe, ganho calo, experiência e sabedoria. Não me auto-flagelo perante cada desafio. Às vezes ainda me descabelo (confesso), mas tento agir com bondade e generosidade para comigo mesma. Sussurro palavras de animo e carinho. "Ana, isto é só uma fase. Já, já, vai passar. Amanhã será um dia melhor." Agarrando-me a essas palavras e com o coração aconchegado continuo em frente, nesta loucura, tentando me equilibrar entre o ser mãe e ser mulher, entre o ser esposa e ser profissional, entre o ser filha e ser dona de casa. Infelizmente, não há nenhuma fórmula mágica para se ser perfeita, para ser a melhor em tudo o que me compete. O que funciona na casa da vizinha, da prima, da melhor amiga não funciona, forçosamente, na nossa casa. O melhor mesmo é olharmos para dentro e fazermos o que nos faz feliz. E essa foi uma das maiores lições que aprendi com a maternidade: conhecer-me como ninguém, aceitar as minhas limitações como parte da minha humanidade e agir de acordo com os meus ideais, o meu instinto (pode parecer um pouco animal, mas muitas vezes funciona muito bem), com o meu coração. Só, assim, aceitando-me por inteiro e sendo fiel a mesma, consigo lidar com leveza com as noites mal dormidas, com os choros em decibéis superiores aos que meus ouvidos conseguem suportar e a selva que a minha casa se transforma.

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