• Ana Ramalho

O papá também materna


Quando procuramos pelo verbo maternar no dicionário não o encontramos, no entanto, é muito utilizado por blogger e youtubers influentes na área. E significa dar afecto ou carinho, cuidar com amor. Sempre associada à figura materna. Mas, na realidade, há, cada vez mais,homens a fazê-lo. O papá também cuida, dá mimo e colinho, por isso, o papá também materna.

Aos olhos de um bebé, a mãe é, seguramente, o porto de abrigo, onde sente conforto, aconchego e até protecção. Mas, hoje em dia, assistimos a um crescente número de homens que querem participar activamente na vida dos filhos. E é urgente deixá-los participar desde o primeiro momento, começando na gravidez. Afinal de contas, o filho é de ambos.

Conheço muitas histórias de mães que tiveram dificuldade em permitir a participação do parceiro no quotidiano do bebé e dividir tarefas. Nos primeiros dias como mãe queria socorrer todos os choros, estar presente em cada troca de fraldas, dar-lhe o meu colo para descansar e te-la nos meus braços. A preocupação com aquele pequeno ser era constante. O Daniel sempre se prontificou para me ajudar. Mas era me difícil ceder, apesar de desejar o apoio do pai. Sentia-me exausta e a minha sanidade mental desvanecia. Afinal de contas, esse é o papel de uma mãe. Vivemos, ainda, numa sociedade onde a mãe é vista como a grande responsável pelo o bebé, sobre a qual recai os cuidados do recém-nascido, e incute-se a procura pela mãe perfeita.

A Super-mulher, a Super-mãe e a Fada do lar não existem! Nós somos mulheres de carne e osso que nos desdobramos e nos esforçamos para desempenhar vários papéis. Nenhuma mulher é só mãe! Nenhuma mulher é só dona de casa! Nenhuma mulher... Mas toda a mulher é humana. Temos fraquezas, temos limites, temos desejos, temos vontades... Tentamos fazer mil e uma tarefa, cuidamos dos nossos filhos, limpamos a casa, trabalhamos fora, fazemos isso e muito mais sempre com um sorriso nos lábios, sempre a pensar nos nossos. E fazemos-lo com muito amor e carinho e dando o melhor de nós.

Quando admiti as minhas fraquezas e os meus limites, tomei consciência que ter ajuda era fundamental. Repartir as tarefas aliviou o peso que recaía sobre os meus ombros, deixou os meus dias mais leves, ganhei tempo para mim. Encontrei o equilíbrio entre o meu antigo "eu" e o "eu mãe". Tornei-me, efectivamente, mais feliz! Tornei-me uma mãe melhor. Tornei-me a mãe que queria ser (ou o mais próximo disso, as expectativas são sempre altas). Tornei-me numa mãe mais paciente, mais calma... E nos dias mais difíceis, onde a nossa resistência e energia são postas à prova, sabe sempre bem saber que podemos contar com alguém, que podemos "trocar de turno" (nem que seja por breves instantes). Maternar é um acto sem género. Maternar é um acto de amor.

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