• Ana Ramalho

Parentalidade a 2


Os dias a seguir ao nascimento da Emma foram dias solitários, sofridos e sem qualquer encanto. O Daniel foi trabalhar e eu fiquei sozinha em casa com um bebé nos braços. Explorar este novo e desconhecido mundo sozinha e sem apoio é, no mínimo, intimidador. Sim, eu estava apavorada quando vesti a minha minúscula bebé pela primeira vez, quando dei o primeiro banhinho sozinha e quando as cólicas chegaram sem aviso prévio.

A chegada de um bebé acarreta muitas responsabilidades e ser mãe é um "TRABALHO DE 24 HORAS". Cuidar de um recém-nascido consome muito tempo, requer muita disponibilidade e energia. Quem nunca passou por isso nunca saberá como o choro do bebé pode levar-nos à loucura, como cada cólica pode magoar-nos ao ponto de nos estraçalhar o coração e como cada noite mal dormida nos devora a alma. O dia-a-dia, em casa, com um recém-nascido é um caos. Sem rotina! (ainda estamos a adaptar-nos) O caos toma conta de nós e da nossa casa.

Mas, agora, o Daniel está em casa. Tirou férias! 3 semanas que estão a passar a voar. A presença do pai veio aliviar aquele peso que recaía, sobretudo, sobre os meus ombros. Aqui em casa, dividimos tudo de igual modo, ou seja, quem primeiro chega primeiro se avia. O papá faz a limpeza de casa, faz as compras, cuida da bebé e da mamã (porque nós também merecemos). Basicamente, a presença do Daniel veio trazer um pouco de "normalidade" a esta loucura em que se tornou as nossas vidas. Para mim, foi extremamente importante ter alguém com quem dividir esta loucura. Saber que tinha um ombro amigo onde podia chorar (e como eu chorei) nas horas que pareciam não ter fim, onde o desespero tomava conta de mim. Uma pequena "pausa" parece ter um poder rejuvenescedor e relaxante. Usufruir de um tempinho para nós mesmas é um luxo, mas tão importante e necessário. Porque a maternidade não é, apenas, rosas.

Por isso, digo que é tão importante que a parentalidade seja vivida a dois. Aqui, por casa, vivemos, este momento, com a mesma intensidade, maravilhados e apaixonados pela nossa nova realidade. Para o Daniel, estes dias, têm sido de auto-conhecimento e de adaptação. Esta realidade também lhe é estranha e ninguém nasce pai. Este tempo em casa permite criar e desenvolver os laços entre pai e filha. Por vezes, dou por mim a admirá-los. Como é lindo ver o desabrochar de uma amizade e amor tão puro. O empenho e carinho colocado em cada gesto...

Este momento inicial é indispensável para cultivar uma boa relação entre todos os envolventes. Quem mais beneficia desta prática é, certamente, a bebé, que vive num núcleo coeso e feliz com pais mais compreensivos e pacientes.

Nunca pensei que assistir um filme com intervalos para trocar fraldas, acalmar choros, amamentar ou fazer actividades com um recém-nascido fosse um serão perfeito. Mas, agora, esta é a nossa nova realidade.

#parentalidade #maternidade #paternidadeactiva #vínculoentrepaiefilho

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