• Ana Ramalho

Um vínculo indestrutível começa na gravidez


Nesta reflexão quero falar-vos de algo que, no início da minha gravidez, me incomodou, mas que com o decorrer da mesma se desvaneceu. A gravidez é uma experiência de auto-conhecimento e crescimento pessoal, que tem um sabor melhor quando vivida a dois, só assim podem-se fortalecer como casal e prepararem-se para a grande aventura que se avizinha. Esta experiência me trouxe mais paciência, sabedoria, consciência do meu posicionamento como mulher e da minha própria força. Portanto, esta reflexão tem um cariz um pouco pessoal e intimista. Mas antes de mais, quero deixar aqui um agradecimento ao meu maridão por ser tão compreensivo, participativo e um papá babado (apesar da bebé ainda não ter nascido).

Mal o teste de gravidez dá positivo começamos a imaginar como decorrerá a gravidez, o parto e a nossa vida com o bebé. Parece que aqueles 9 meses são insuficientes para prepararmos tudo para a chegada do bebé, para nos prepararmos para tamanha aventura. Muitas vezes idealizamos as nossas vidas, criando expectativas demasiado altas e longe da nossa realidade, esperamos e exigimos de nós e do nosso parceiro algo que não está ao nosso alcance.

Por isso mesmo, a gravidez tem de ser vivida a dois. Afinal de contas esse pequeno ser é tanto seu como do seu parceiro. Nesse ponto, a maior dificuldade encontrada é a criação do vínculo do futuro papá com o bebé. Para a mulher, a gravidez expressa-se com muito mais clareza. Desde bem cedo, o corpo da mulher sofre visíveis alterações e a nível emocional esta torna-se mais sensível e sente necessidade de apoio e atenção. Nesta fase, nós já nos sentimos verdadeiras mamãs. O nosso comportamento muda: tornamos-nos mais protectoras e projectamos-nos para a chegada do bebé.

Mas temos que entender que para o nosso parceiro a gravidez é vista de uma maneira mais subjacente. Temos que aceitar que homens e mulheres vivem esta fase de maneiras diferentes. Isso não significa que o seu companheiro não se sinta afortunado e realizado, mas sim que o seu processo de assimilação é diferente do seu. E não esqueça que os homens interiorizam mais as suas emoções, não revelando as próprias expectativas e muitas vezes não aproveitando o momento a 100%.

Por isso, cabe, também, à mulher envolver o parceiro na gravidez. Num primeiro momento, fale abertamente com o seu companheiro sobre a gravidez, fale-lhe de si e das mudanças que tem vindo a sofrer, tracem planos para o futuro e demonstre-lhe a importância do seu envolvimento em todos os estágios da gravidez.

Ao futuro papá compete ser compreensivo com as alterações de humor, ser carinhoso, atencioso, ajudar em tudo o que for necessário, elogiar a mulher (todas nós gostamos de sentir que ainda existe atracção física apesar da grande barriga). É importante que o homem tome consciência que o vínculo com o bebé inicia-se na barriga, por isso, converse com a barriga para que o bebé reconheça a sua voz, acaricie ou massaje a barriga da sua mulher para poder sentir os movimentos do seu filho e, assim, o feto sente o toque do pai e a mamã recebe um miminho. Ao papá do séc.XXI, impõe-se, ainda, que este seja participativo nas consultas do pré-natal - a sensação de ver o bebé nas ecografias é indescritível e fortalece o vínculo entre pai e filho - e a sua envolvência nos preparativos para a chegada do bebé. E por fim, divida aquele momento único (o parto) com a sua mulher e seja o mais participativo possível, pois isso irá estreitar os vossos laços, consolidando a união familiar e transmite confiança e bem-estar à grávida.

#gravidezadois #opapeldopainagravidez #vínculoentrepaiefilho

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